
Lugar de passagem. Chegadas e partidas. Rodoviária. A mulher devia medir dois metros; cada perna tinha quase a medida da minha cintura. Cabelos longos, olhos cor de mel — acredito que eram. Sempre a encontrei com a mesma roupa preta: shorts quase mostrando a polpa da bunda e blusa tapando só os seios. Talvez tenha quase cinquenta anos. Faltam-lhe alguns dentes na frente.
Antes da rodoviária, tinha-a encontrado pelas ruas que percorro todos os dias. É uma mulher grande; não passa despercebida.
Na rodoviária, pergunto seu nome enquanto compro café. Ela comprava alguma coisa para comer. “Bárbara é meu nome”, responde rindo. Vejo seus dentes quebrados. Ela saiu com cara de brilho, como estivesse mastigando sorrisos.
Bárbara é uma mulher grande. Anda só, aparenta conversar consigo mesma.
Bárbara não iria viajar naquele dia. Disseram-me que ela sempre passa pela rodoviária sem ser para chegada ou partida.
Não sei o que faz, nem onde mora. Bárbara é mulher grande, como os ônibus, mas eles têm destino.
De Bárbara, só sei que é mulher grande.
Sobre o autor:

Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho.
