Literatura

As eternas fogueiras
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As eternas fogueiras

Ludimilla Barreira* Neste mês de agosto, comemoramos o 18º aniversário da Lei Maria da Penha. É inquestionável o avanço jurídico-social proporcionado às mulheres após a positivação de regras que buscam abranger as minúcias dos relacionamentos, que fundamentalmente deveriam ter como base o respeito, a dignidade e o equilíbrio. Por esse motivo, a cor escolhida para representar a campanha de luta contra a violência é o lilás, associada a valores essenciais para a construção de uma sociedade mais igualitária. Porém, muitas são as violências possíveis a serem perpetradas contra uma mulher, temos algumas apontadas nesse dispositivo de proteção, mas que se restringem a relações específicas, prevendo desde agressões física até aquelas manipulações mais sutis, que mesmo sem deixar marcas e ci...
Da Literatura ao Cinema: É assim que acaba
Literatura

Da Literatura ao Cinema: É assim que acaba

Luciana Bessa* Imagino que a adaptação de obras literárias para o cinema deva ser ao mesmo tempo uma tarefa fascinante, mas complexa e assustadora. Afinal, a narrativa escrita não cabe na narrativa visual. O certo é que o cinema influencia a literatura, assim como a literatura influencia o cinema.  Ambas, como seu poder de contar histórias, têm a capacidade de aproximar o leitor, ou o espectador dos grandes temas humanos. Via de regra, há aqueles que prefiram uma adaptação fiel à obra como é o meu caso; outros que preferem que o livro seja transformado livremente em uma terceira narrativa.  Digo isso porque domingo passado, fui ao cinema ver o best-seller da escritora Collin Hoover - É assim que acaba – depois de muito escutar: “o filme é bom para quem não leu o livro...
Estórias de candeeiro Um homem, um cachorro e uma mão
Literatura

Estórias de candeeiro Um homem, um cachorro e uma mão

Rodrigo França* Dá licença minha gente,Vou contar uma históriaQue minha mãe contavaE eu guardo na memória.De coisas assombradasQue ela viveu outrora. E o meu pai confirma,Pois ele também viveu.Pra saber se é verdadeSó basta crer como eu.Pois minha mãe não mentiaIsso ela não aprendeu. Falou de um cachorroQue assustava em olharE também de um homemQue sumiu num piscar.E de uma mão giganteQue não deixava passar. O meu pai quando bebiaGostava de aprontar.Justamente nesse diaEle queria andar,Para festa ele iaNinguém iria empatar. Minha mãe preocupadaDisse: “homem não vá.Tá tarde, fique em casa,Por favor vá se aquietar.Já é quase madrugada,Tu vai buscar o quê lá?” Meu pai nunca escutava.Era pior se falar,Ele disse: “eu vou sim!Quero ver quem vai empatar.Acompanhado ou sozinho,Ma...
Ruas do Amazonas
Literatura

Ruas do Amazonas

Alexandre Lucas* Trago uma pequena biblioteca cheia de mim e do mundo. Oferto mentiras da lua e da poesia, traço verdades intensas. O dia ainda está para parir o sol e já recolho as palavras para o café. Ontem deixei o mapa falar enquanto configurava a imaginação. Já não sei dos mapas.  Ainda é cedo.  Os caminhos não são meus, nem seus, são como as ruas do Amazonas, que se refazem na dança das águas.  A bússola dos desejos traquina em mapas desconhecidos, no centro uma boca demarca um ponto vermelho.  Alguns brilhos surgem, mordo levemente os lábios.  Por aqui, os livros contam histórias mágicas e dramáticas, algumas insistirem em terminar no "foram felizes para sempre", mas ainda estou agarrado nas histórias dos barcos, das casas flutuantes e dos cabelos ...
Respostas
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Respostas

Francisco Joherbete* Num mundo de solidãoNum abraço de alegriaNa sofrência desse lugarNão encontro nostalgiaA vida aqui é tristeOutros dizem que é BelaMas eu não sei ao certoQue vida é essa? No caráter das pessoasNão encontro amorSão desesperadas em assuntosNão demonstram dorAí eu me perguntoAcabou o amor? As respostas para as perguntasEu ainda não as encontreiSe souber de algoMe conte com rapidezNão se desespereO amor que eu encontrarNão negarei, irei lhe contar… Sobre o autor: Francisco Joherbete *Aluno do 8° ano do Colégio Municipal Pedro Felício Cavalcanti. Gosta de ler poesias e de fazer também. "Abrace sua tristeza".
O protagonismo feminino nos Jogos de Paris
Literatura

O protagonismo feminino nos Jogos de Paris

Luciana Bessa* Não sou muito de ficar em frente à televisão, mas esse mês de agosto foi diferente. Os Jogos Olímpicos me capturaram. À princípio, pelo país sede - França. É meu sonho tomar café em Paris depois ter passado o dia vendo a História nas paredes do Louvre. Acompanhei, dentro do possível, as Olimpíadas que terminaram sábado, dia O quadro de medalhas não trouxe nenhuma novidade: Estados Unidos em 1º lugar com 126, China em 2º, com 91. Já o Brasil ficou em 20º: 3 medalhas de ouro, 7 de prata e 10 de bronze, bem menos do que Tóquio (21 medalhas). Isso sem contar que foram mais 11 casos em que brasileiros terminaram em quarto ou quinto lugar. Dessas Olímpiadas, três coisas precisam ser ditas: 1) Pela primeira vez, a delegação brasileira, com 227 atletas em 39 modalidades,...
Ódio
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Ódio

Francisco Joherbete* Preste atençãoNo que eu vou te falarÉ algo tristeMas você pode imaginarÉ algo comumE você pode o encontrar. Se você não sabe o que éEstamos junto nessa.É o ódio que nos encontraNa nossa vida desertaÀs vezes com momentos desprovidosEle nos pega e nos aperta. Às vezes com emoçãoEle nos faz pensarMas com raivaEles nos fazem meditarE muitas vezes magoamosQuem nos fez amar. O ódio para mimÉ algo que quero passarVocê deve estar assim:Você quer o encontrar?Só que na realidadeQuero admirarConhecendo-oE fazer um parMas não fazendoO que ele me mandar. Sobre o autor: Francisco Joherbete *Aluno do 8° ano do Colégio Municipal Pedro Felício Cavalcanti. Gosta de ler poesias e de fazer também. "Abrace sua tristeza".
Habitações de gente
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Habitações de gente

Alexandre Lucas* As águas são ruas que nos habitam. Trânsito misturado de gente, veias abertas de sangue e segredos. Recomeço. O rio está cheio, nadar ou afogar. Os rios estavam cheios outras vezes, arrastaram corações, enlouqueceram a esperança. O rio fugiu, levou a água e deixou uns versos. As folhas secas dançam na areia solitárias do sol e do vento. As coisas estão mudando a todo tempo, mas parecem que as pedras não saem do lugar. Os rios se movem, como as navegações entre as línguas. As línguas navegam. Nunca aprofundamos o assunto. Talvez seja o medo, o desafio de não naufragar. Exige trabalho, paciência, transformar areia seca em sereia e mar.  Calma, a sereia desaparecerá: ficará o canto e o mar. Joga os Nerudas que te restam e atravessa os rios e mares possívei...
Estações
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Estações

Francisco Joherbete* No inverno chuvosoNo verão de racharNa primavera bonitaNo outono sinto o despertarNas estações sem solNa calada da noiteNo jardim floridoSinto ambas as coisas e cores. Coisas bonitasCoisas formosasCoisas lindasÉ igual a AuroraColorida de tintaVerde e FormosaClara e recheadaComo o amorDe uma pessoa estrondosa. Nas estaçõesNo amorNas coisas divergentesNo sofrido do mundoObservo inconvenienteDe pessoas ruinsSem amorE agindo de repente. Sobre o autor: Francisco Joherbete *Aluno do 8° ano do Colégio Municipal Pedro Felício Cavalcanti. Gosta de ler poesias e de fazer também. "Abrace sua tristeza".
Afinal, quem matou Sherazade?
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Afinal, quem matou Sherazade?

Ludimilla Barreira* Conheci o livro Eu matei Sherazade, escrito por Joumana Haddad, por sugestão do “Clube de Leitura Entre Livros e Afetos”. Inicialmente, pelo título, acreditei piamente que o livro seria um suspense com muita investigação e teorias sobre a morte de uma personagem icônica. Afinal, até o leitor que se conforma com bula de remédio já ouviu falar de Sherazade e “As mil e uma noites”. Cometi um erro de principiante: o velho “julgar o livro pela capa”, mas, no meu caso, foi pelo título. Comecei de forma despretensiosa a minha leitura, sem me preparar para as reflexões para as quais fui arremessada. Felizmente, fui surpreendida. Há pouco tempo, fui tomada por uma necessidade de ler mulheres que trazem às suas próprias experiências como pano de fundo do que produzem. Estou...