Literatura

The burial of an unfinished love
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The burial of an unfinished love

Fabiano Santiago Lopes noite quase acabando, céu estrelado, enfim, vejo o vasto céu azul sem fim...  fico imaginando a história que quero contar: não é uma história feliz, mas também não é algo novo, não é tanto, não é de se assustar,  hoje me sinto bem, e há muitos motivos pra me sentir assim: posso então seguir...busco em mim mesmo e no autor da vida,base, fundamento e sustentação devida.forças e motivações que me façam prosseguir, mas preciso de alguma forma esse segredo diluir...mas, não posso de forma alguma,  esquecer o que perdi, e o motivador que o fez destruir...  não tem como, já tentei por várias vezes;  mecanismos de defesa, ainda não encontrei esse...  esquecer que um dia você existiu;  e como o meu coração de tal forma você possuiu...  E é mais forte do que eu posso admiti...
O rio que nos abraça
Literatura

O rio que nos abraça

Alexandre Lucas O rio assimétrico desenha vaginas no seu percurso. As águas caminham transbordando música. Os pássaros cantam e desaparecem entre as árvores. Mastigo algumas sementes e me cubro de sol e sombra.  Sigo as vaginas do rio. Procuro alguns minutos de silêncio dentro dos barulhos que habitam os meus dias. As águas me atravessam acolhendo os meus passos.  Verde por todos os lados, mas nem tudo é esperança. Nenhuma lasanha por aqui, nem mesmo um simples macarrão. Água na boca.  Talvez tenha que andar mais. Hoje, apenas os desenhos do rio.  A folha desce sendo seu próprio barco nos braços rio.  Molho a cabeça. Escorro entre as pedras e as águas para tentar espatifar os pensamentos petrificados. *Pedagogo e integrante do Coletivo Camaradas....
O Mundo é uma gaiola
Literatura

O Mundo é uma gaiola

Alexandre Lucas  Chove. Os pássaros cantam. Neruda se declara para Matilde, em Cem sonetos de amor, mas o amor não cabe em um livro. Sinto os pingos escorrendo sobre meus braços como se estivesse me conquistando, ritualizando a antessala da selvageria amorosa. O amor seguiu viagem, mas deixou suas malas.  É carnaval e a carne continua valendo, quase nada. Os rostos pintados de alegria, são brilhos inventados, são rios efêmeros. Os pássaros comem manga assustados, com alerta de voar. Matilde já não escuta Neruda, deve ser roseira em algum canto, mas do que roseira.  A gente se divide e se transforma em tantos seres e coisas, que até duvidamos.  Neruda come pão. "Pão que devoro e nasce como luz cada manhã", Matilde pão e luz.  Chove. Neruda esquen...
Aquele Pássaro Amarelo
Literatura

Aquele Pássaro Amarelo

Maykon Ferreira Gomes Pereira Um dia veio em casa, um pássaro amarelo. Um pássaro tão bonito, Calmo e singelo. Um voo tão assustado, Vi no seu olhar um ser Aflito e apavorado. Com vontade de viver. No seu voo e olhar, Cheguei a sentir a dor. A ausência do seu lar, E da mãe o abraço, o calor. Logo então veio na mente. Pobre pássaro perdido. Parece um menino triste, excluído. Com o coração carente. Eu e minha vó, Soltamos com muito dó. Para assim ele voar, Encontrar o seu lar. Com a nossa empatia, Senti nele a alegria. Alegria de verdade, De ter a famosa liberdade. Liberdade de assoviar. Liberdade de voltar. Com a família se juntar Liberdade de voar e voar. No assovio me alegrei. No seu voo eu chorei. ...
Os espaços de leitura como estratégia para o ler o mundo
Literatura

Os espaços de leitura como estratégia para o ler o mundo

Alexandre Lucas O direito à literatura é parte integrante da luta pelos direitos humanos, essa é a premissa da defesa do Antonio Cândido no seu manifesto “O Direito à Literatura”, que reflete sobre literatura, a partir das contradições do modo de produção capitalista, em que a aponta o avanço da racionalidade técnica e de domínio sobre a natureza como algo positivo, mas ao mesmo tempo distante de atender as necessidades humanas.  Cândido defende que a sobrevivência física e a integridade espiritual compõem a luta pelos direitos e a dignidade humana.  No sentido amplo, é indissociável nos separar das artes e das literaturas. A produção humana é carregada por símbolos que possibilitam a nossa comunicação, reflexão, entretenimento, ressignificação, instigamento criativo, desco...
Ouvi falar
Literatura

Ouvi falar

Maykon Ferreira Gomes Pereira Ouvi falar que existe o amor.Mentira, muitas vezes o ser humano,Com as palavras geram dor. Ouvi falar que existe compaixão.Mas quando se precisa de ajuda,Não pensa antes de dizer não. Ouvir falar que existe o respeito.Mas tem gente que só pelo tom de voz,Nem sabe falar direito. Ouvi falar que existe reciprocidade.Mas no decorrer do tempo você vê,Quem lhe ama de verdade. Ouvi falar que existe igualdade.Mentira... é tudo uma máscara quê,Esconde a realidade.
Alvorecer
Literatura

Alvorecer

Fabiano Santiago mais um dia em que a verdade se esconde      apesar do mais intenso calor e luz do sol      começar a esquadrinhar, começo por onde?      a iluminação vence as trevas e a luz é como farol,      que transcende e vence nossas condições...      a limitação da minha humanidade muitas vezes atrapalha,      é um empecilho, como muralha.      Quem dera que tudo pudesse ser dito, sem meias verdades,     isso soa pra mim como inverídico, como mentiras tão sensíveis como palha,     que pode facilmente pegar fogo na fornalha.     Então tudo se dilui no nada?     e o nada insiste no acaso prevalecer no nada?     me oponho e resisto antagônico,     seria sarcasmo, ou amor platônico     diante de tudo que sou e posso ser...     Como as expectativas de todos poder atender?     s...
A borboleta voa com toda a sua fragilidade
Literatura

A borboleta voa com toda a sua fragilidade

Alexandre Lucas Os pássaros cantam. As flores brancas e as rosas amarelas estão desfilando paradas. Escuto baixinho Bob Marley. O sol resolveu fechar suas luzes. Cato fragmentos de saudade e lembro do sonho da última noite, triste: um homem morria torturado, o caminho era resistir aos seus algozes, ficava com a fala entalada, não lembro mais do sonho. Acordei, a boca seca e o coração perfurado. Observo as folhas, elas parecem dançar, mas estão presas ao chão, mesmo assim dançam. Parece que é isso mesmo: sem correntes estamos presos e mesmo acorrentados conseguimos caminhar. A pureza dos acontecimentos é infinitamente mentirosa.  A borboleta voa com toda a sua fragilidade, fica ali entre as flores brancas e próxima das rosas amarelas. Bob Marley se mistura à música de Luiz Cal...
21 anos e uma roseira vermelha
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21 anos e uma roseira vermelha

Alexandre Lucas Mais uma carta. Saiu de moda escrever. Continuo escrevendo. A última ditadura militar no país durou 21 anos e as cartas circularam clandestinamente para registrar a história e alimentar as esperanças. Manifestar sempre fez parte das ações humanas, assim como o amor. Ainda era criança, pouco entendia sobre o que escrevia, mas eu escrevia para você, como se quisesse dizer:  estou aqui e quando precisar me coloque nas suas mãos.  Escrevia estando a poucos minutos de distância, já que nossas distâncias nunca foram além dos minutos.  Escrevo como um exercício de presença, como se a cada instante estivesse mais próximo da despedida, racionalmente é essa a composição do tempo.  Guarda as cartas, elas não são um amontoado de palavras, estão im...
Amor à quatro
Literatura

Amor à quatro

Para as minhas filhas Fabiano Santiago Lopes Quem dera fosse tão simples expressar em palavras. Nada do que posso dizer pode exprimir a dor da saudade que eu sinto por aqui. Vocês, amores que se foram, eram a razão de eu existir. Um amor proporcional a cada uma. Nunca houve ou irá existir algo, que preencha essa lacuna. Você era o amor que emanava dentro de mim, seu nome é nome de flor; querida Yasmim. Passeávamos na rua, e eu te mostrava o mundo  brincávamos no parque, e eu te mostrava as cores das árvores, pássaros e flores mesmo sendo visto como um vagabundo.  Não trabalhava, mas trabalhava em você. Dedicava meu tempo desde o raiar do dia até o entardecer. com um amor que não tem fim... Até que um dia veio o choque: me tira...