Literatura

Marisa Monte – “Ainda bem que encontrei você”
Literatura

Marisa Monte – “Ainda bem que encontrei você”

Luciana Bessa A Música, assim como a Literatura, tem o poder de invocar lembranças, despertar sensações várias - alegria, melancolia, prazer – e fazer refletir sobre a condição humana. Muitas são minhas paixões. Uma delas é a Música. Talvez seja sua habilidade de me acalmar, ou mesmo afastar o turbilhão de pensamentos sobre os infindáveis compromissos do dia a dia. Pode ser ainda o fato de a Música e a Literatura manterem uma relação íntima e complementar, embora não haja equivalência musical para o discurso verbal. Minha relação com a música-poesia da cantora e compositora Marisa Monte remonta a década de noventa, quando era estudante do curso de Letras. Após minhas leituras obrigatórias do sábado à tarde, escutar a voz de Marisa era sinônimo de liberdade e de bem-estar. Nasci...
A despedida da flor
Literatura

A despedida da flor

Francinilda Santiago Lopes Numa tarde de sexta-feira duas amigas marcaram de tomar um café e no meio da conversa Ana faz um convite para amiga Daiane: irem comemorar seu aniversário em um clube de passeio com piscina, porque a comemoração no ano anterior tinha sido em sua casa onde elas comeram, beberam e dançaram músicas dos anos 80 e 90. Ana ficou surpresa ao ouvir a revelação da amiga Daiane naquele dia, ela disse: vou te confessar como foi difícil estar no teu aniversario no ano passado, eu estava devastada com o coração em frangalho, porém fiz com que ninguém percebesse, disse Daiane a amiga. A minha companheira de trinta anos tinha acabado de falecer, eu a levei para hospital e depois a minha flor foi para a UTI. Não demorou muito e a equipe médica veio com a notícia do falecim...
Um louco no espetáculo
Literatura

Um louco no espetáculo

Alexandre Lucas* Nos bastidores, a língua vira lâmina. Sexta-feira, semana intensa, programação vasta: vasculho a mais calma e de preferência com poucas pessoas. Cansada das multidões. Todos os convites recusados na mais discreta mentira. Saio só. Assisto ao espetáculo sobre homem matador. Roubava, estuprava, matava. Ninguém queria ser o homem narrado no espetáculo. Assassino confesso, daqueles que fazem o estrago e contam sorrindo. Assisti atentamente. Jovem grita da plateia, tenta interagir com o ator. A plateia desconsidera a doença mental do rapaz, insiste no seu silêncio, mas diz acreditar nos direitos humanos. Dói. O jovem tem o seu direito restringido de ser louco. Os normais transgridem a realidade. O espetáculo não era daqueles monótonos em que se assiste ...
O som do rugido da onça
Literatura

O som do rugido da onça

Luciana Bessa Sempre me questiono o que faz um livro premiado ou não. O som do rugido da onça, da escritora pernambucana Micheliny Verunschk ganhou, em 2022, o mais tradicional prêmio literário do Brasil concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CDL). No caso da obra em questão, tenho duas suposições para tamanha premiação. A primeira diz respeito ao fato de a autora vestir sua prosa de um lirismo sensível capaz de atravessar qualquer coração empedernido. A narrativa lírica é aquela em que as palavras, embebidas pelo ritmo, sonoridade e cadência, dançam diante dos olhos dos leitores. A segunda suposição tem a ver com o fato de Micheliny Verunschk valer-se da união entre discursos - literário, histórico e antropológico - para desfazer a versão dos exploradores como “salvadores da ...
Xela
Literatura

Xela

Alexandre Lucas* Era mesmo pichadora. Uma subversiva. Uma clandestina sempre querendo ser vista. Se a expressão carne e osso vale para alguma coisa, isso faz parte do seu retrato-falado. Cabelos embolados, que por muito tempo não soube lidar. Da castanhola ao spray, tudo virava gritos nas paredes. Queria mesmo aparecer. Ser percebida, mesmo sem ser identificada. A magrela pichava tudo. Carimbava a cidade com se quisesse dizer que também existia. Inquieta, inventora, riscadora. Fazia dos muros um atestado de rebeldia e um pedido de socorro. Criminosa de um crime que era vítima. Andava pelas ruas sacolejando a bila do spray. Fazendo poesia sem verso e perdida de ritmo. Um dia subiu na torre da igreja, lugar estreito, alto, tinha medo de altura, mesmo assim o atrevimento sempre fo...
Ninguém vai poder, querer nos dizer como amar
Literatura

Ninguém vai poder, querer nos dizer como amar

Shirley Pinheiro "Eles não vão vencer Baby, nada há de ser em vão" Amar é um direito de todos! Mas para alguns é uma luta árdua e cotidiana, às vezes enfrentada com medo, com dor, com garra e sempre com orgulho. No dicionário, "orgulho" significa o "sentimento de prazer, de grande satisfação com o próprio valor, com a própria honra". Para uma parte da população, que é perseguida, ridicularizada e assassinada pelo simples fato de amar, celebrar o amor um dia, um mês ou a vida inteira é sim motivo de muito orgulho. A história do movimento LGBTQIAPN+ é torneada pelo silenciamento, marginalização e perseguição da comunidade. Ainda hoje há quem questione as razões pelas quais se celebra o dia/mês do orgulho LGBT e não há comemoração do "orgulho hétero". Pois bem, a resposta mais óbv...
Martelo quebrado
Literatura

Martelo quebrado

Alexandre Lucas* Acordei cedo, mas nem fiz a ginástica matinal, como é de costume. O corpo estava meio parado, a mente estava acelerada, mas o martelo estava batido.   Dormi sem calcinha e despertei árida de desejos, sem vontade alguma. Tenho muitos livros para ler e ainda sobra outros para escrever: uma coisa não impede a outra. O dia foi agitado, as costas parecem amassadas, sentei apenas uma vez para almoçar e foi rápido, nem tive tempo de mastigar.  Sentada. Resolvi tomar café para observar a rua, depois de desistir de outras vontades. Não tive fôlego. Enfim, sou a única chateada comigo, pelo menos hoje. A vendedora da padaria esboça cansaço. Verifica as unhas e vasculha com os olhos o chão.  Aguarda terminar o expediente.  O café esfriou. Já é tard...
A não valorização do professor dentro de sala de aula
Literatura

A não valorização do professor dentro de sala de aula

Letícia Isabelle Alexandre Filgueira Começo minhas palavras afirmando que a profissão que forma as outras profissões, é a de professor. Tudo começa aqui! Como se aprende se não há quem ensine? Essa pergunta nos ajuda a refletir sobre o valor que está sendo dado ao professor. Primeiramente como ser humano. Como os professores das redes públicas e privadas estão se sentindo em sala de aula? Estão sendo tratados como seres humanos que precisam de descanso, de respeito, de remuneração adequada... ou estão sendo tratados como robôs educadores, cuja única função é ensinar e da melhor forma possível, pois não precisam se preocupar com outras necessidades básicas do ser humano. Esse tratamento parece justo? Não!!!   Ser professor é estar sempre se aprimorando, ter espírito empreendedor, b...
Minha experiência em sala de aula
Literatura

Minha experiência em sala de aula

Letícia Isabelle Alexandre Filgueira Sala de aula sempre foi um ambiente desafiador, um ambiente de socialização de muitas pessoas diferentes, onde o professor deve ali exercer vários papéis: amigo, pai, mãe, irmão, psicólogo, etc. Mas, e, quando se estar em seis salas de aula com trinta e cinco alunos diferentes cada uma delas? Essa pergunta, para quem nunca esteve em sala de aula, assusta muito, né? Com certeza! Porque todas as realidades são difíceis, principalmente na educação. Na universidade a gente idealiza a escola como sendo uma instituição que possivelmente estará aberta a mudanças e sempre estará disponível para ouvir o professor, mas, na maioria das vezes, não é assim. Em muitas escolas, o professor ou é controlado para prestar seu trabalho seguindo ordens e sendo fiscali...
Viva o cinema brasileiro
Literatura

Viva o cinema brasileiro

Luciana Bessa Para além dos festejos juninos, o mês de junho tem uma data que passa despercebida para alguns de nós: o dia do cinema brasileiro, 19 de junho, em alusão ao ítalo-brasileiro, Afonso Segretto, que filmou, no ano de 1898, a Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. Minha relação com a literatura brasileira sempre foi de amor à primeira vista. Já com o cinema, não foi bem assim. Influenciado pelas comédias italianas, o gênero das pornochanchadas, fez muito sucesso na década de 1970, mas confesso que narrativas com palavras de baixo calão, exposição do corpo feminino, temáticas sobre virgindade e conquistas amorosas, não me conquistaram. Que fique claro que não se trata de moralismo. Longe ainda de defender a proibição da pornochanchadas por acreditar que esse tipo g...