Literatura

Sheyla Xenofonte lança o excelente Olhos Celeiros com poesias de acalmar a alma
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Sheyla Xenofonte lança o excelente Olhos Celeiros com poesias de acalmar a alma

Tarso Araújo Foi lançado sexta-feira, 29, o livro Olhos Celeiros da escritora Sheyla Xenofonte, no bar Vila Moringa, em Juazeiro do Norte, numa ação do Instituto Vida Cariri. No convite as palavras ecoam: “A obra é um convite para reencontrar a beleza das pequenas coisas e beber, em goles de poesia, o que há de mais verdadeiro no sentir humano”. E é isso mesmo. Dizem que a poesia pode ser muitas coisas, serve para alegrar, entristecer, lembrar, saudar, para rever algo que passou ou sonhar com algo que você tanto deseja. Não sei como foi o encontro de Sheyla Xenofonte com a poesia, mas o meu encontro foi quando li Carlos Drumond de Andrade e seu famoso: “no meio do caminho tinha uma pedra” foi determinante para gostar de poesia, ler livros, amar as letras e sonhar. E muitas vezes sonh...
Do signo de câncer e suas memórias afetivas: Zélia Gattai
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Do signo de câncer e suas memórias afetivas: Zélia Gattai

Émerson Cardoso Em Anarquistas, graças a Deus, Zélia Gattai (1996, p. 13)[1] comenta: “Pela minha certidão de nascimento, sou nascida a 4 de agosto. Além do mês e dois dias de lambujem ganhos, passei também a ser dona de dois signos do zodíaco: oficialmente, sou de Leão; na realidade, de Câncer. Adotei os dois”. Filha de imigrantes italianos, Zélia Gattai nasceu em São Paulo, em 07 de julho de 1916, e transformou-se em um dos principais nomes no Brasil quanto à produção de livros de memórias. Embora seu pai, Ernesto Gattai, tenha feito o registro dela como nascida em agosto, o que faria dela uma leonina, a data correta de seu nascimento a coloca no rol das nascidas sob o signo de Câncer. Câncer, o quarto signo zodiacal, alude ao caranguejo[2] que a deusa Hera enviou para fustigar ...
O silêncio que escreve
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O silêncio que escreve

Geysi dos Santos  Pessoas desabafam com quem não devia, Eu, aqui, escrevendo, meu refúgio fiel. O silêncio e o papel trazem a calmaria, Longe das mentiras, do amargo. A opinião alheia, um véu a cobrir, Melhor guardar a alma em tinta e papel. Sentimentos sinceros, sem ninguém ouvir, Na escrita, a verdade, meu doce mel. Sobre a autora: Estudante e integrante do Clube da Palavra do Colégio Municipal (Crato)
Carta para a presença
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Carta para a presença

Alexandre Lucas Poderia ter perdido a chave de casa dez vezes no mesmo dia e tê-la encontrado outras dez no bolso da calça. Talvez fosse possível se perder no caminho para o trabalho, esquecer de tomar café logo cedo e de vestir a roupa ao sair à rua. Mas, naquele dia, o esquecimento estava morto. A cada pisada, uma martelada era o lembrete. Decidiu guardar cada um e fazer de conta que uma amnésia havia feito morada. A história são recortes do tempo em que a amnésia é sepultada. Nada morre por completo. Aquele dia foi para o enfrentamento e a fuga. Viajou. À meia-noite, estava dormindo propositalmente. Se sonhou, fez questão de esquecer. Nenhuma carta ridícula foi disparada, e todas as cartas de amor foram queimadas — pelo menos naquele dia. O coração, costurado com barbantes enve...
Voz: um corpo que fala
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Voz: um corpo que fala

Luciana Bessa Não sei vocês, mas durante anos eu julguei a minha voz feia. Já fui uma dessas pessoas que entrava e saia de um espaço calada. Justificava para mim mesma que estava aprendendo mais ouvindo do que falando. O que não é de todo mentira. Em uma sociedade em que todos têm algo importante a falar, mas poucos disponíveis para ouvir, apurar os ouvidos foi uma das formas que encontrei para aprender e, claro, me proteger. É que falar é um modo de se expor. Em se expondo, ficamos mais suscetíveis a julgamentos e à vulnerabilidade. Bem, foi isso que pensei durante anos. Afinal, sou de uma geração que foi criada para não responder pai/mãe, para apanhar e não chorar, para não desacatar professores, para não rir alto, para escutar calada a conversa dos mais velhos. Nesta caminha...
O bêbado quer falar
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O bêbado quer falar

Alexandre Lucas “Tempo para sonhar” anunciava a placa na parede do cemitério. Sorrisos fabricados para vender esboçavam-se nos anúncios comerciais. Nas calçadas, as mãos estendidas assaltavam as mentiras vestidas de felicidade. O bêbado, descalço, de camisa encardida e calça camuflada de rigidez e terra, dançava, sorria e fazia caretas. Caía, levantava, seguia. Enquanto os outros compravam a embriaguez, o bêbado mendigava para beber. As ruas, emplacadas de rostos felizes, esbanjavam consumo. O bêbado consumia o cansaço da vida, o último buquê da esperança. O bêbado derrubava a rua, embaralhava as conversas e apontava a lucidez da realidade. Sobre o autor: Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho.
O pombo
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O pombo

Alexandre Lucas Parado diante do vai e vem dos carros, mais de vinte e nove minutos de espera. A impaciência quase transbordando pela cara. O trânsito das cinco da tarde é uma fila de desistência. Precisava apenas comprar o pão. Impossível de passar. Os carros transitavam num fluxo interminável. Era capaz do pão ficar duro. Precisava andar para diluir os problemas, mas os carros estavam sendo as pedras no meio do caminho. Faltava Drummond e não se tinha horizonte sem alvo para jogar pedras. A demora foi tanta que desistiu do pão. Andou sem planejar os caminhos e parou diante dos pombos, observou seus gestos e, impedido de voar, escreveu. Voltando para casa, o engarrafamento continuava, a padaria tinha fechado. Trazia um pombo debaixo do braço. Sobre o autor: Alexan...
O tamanho da reza
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O tamanho da reza

Alexandre Lucas -Rezei só o básico e fui dormir.   Comentou seu Raimundo, deixando dúvida sobre o tamanho de uma reza. A noite, ele ocupa a calçada para encontrar conversas, ver gente e encurtar o tempo para o dia seguinte.   Todo dia, que deve ter um santo, está Raimundo como um poste na calçada. Ver quem sobe e desce. Quem faz questão de falar e de calar.   Gosta de conversar sobre as histórias de antigamente, relembrar a vida alheia misturada com a sua.   Guarda tantas memórias que se perde entre elas. Troca personagens e tempos; às vezes, uma história entra noutra, refazendo coisas que não existiram.   Com oitenta anos, se perde e se guarda lembranças impossíveis de calcular. Raimundo entende de invenções, refaz histórias e cria...
III
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III

Rafael Barreto Minha avó disse tal como “praga, experiência ou benção” a mim não cabe dizer – Ninguém nunca casa com a primeira. Senti tal qual alfinete da angústia e ri. Ao frio inicial, leves trepidações me tira o ar. No encostar dos corpos, anestesiado, Frio não se sente, um pouco de medo. Como a fusão de dois corpos celestes derretem Se unem. Mas não somos astros. Teu corpo no meu, minha boca, a sua, Produz ardor... prelúdio. Em horas de agonias confranger-me o corpo Já não me valem, quinhentas páginas, ou sedativos, Algo qualquer que me dopasse. Que agonia. Tu eras minha dor. Eu era. Você era minha mente. Como um “São”, um Santo que pula em roseiras nu, Eu me jogaria por amor. Pois a mente não sofre como a carne. Tua pele morena me descansava, Te en...
De gêmeos e suas dicotomias existenciais: Ana Cristina César & Denise Emmer
Literatura

De gêmeos e suas dicotomias existenciais: Ana Cristina César & Denise Emmer

Émerson Cardoso Sendo o signo de Gêmeos dado a dicotomias, por que não considerar a produção literária de duas figuras femininas densas demais para serem esquecidas em nosso mundo artístico-literário pouco vivido em sua plenitude? A proposta é prestar louvores e honras a Ana Cristina Cesar e a Denise Emmer. Duas almas capazes de comunicar, pela palavra, mundos poéticos construídos como forma emblemática de não admitir silenciamentos e suas reverberações nocivas. O signo de Gêmeos, a propósito, lida nada bem com silêncios, pois move-se no mundo como se possuísse tentáculos comunicantes incapazes de aprisionamentos. Inteligência, diálogo, discursos convincentes, adaptabilidade e múltiplas direções caracterizam esse signo que está fadado a viver no ar, valsando no vento ou bailando n...