Projeto “Agentes do Sítio Urbano do Gesso” inicia atividades para consolidar patrimônio verde e comunitário do Crato


Iniciativa financiada pelo Ministério das Cidades visa fortalecer gestão comunitária, agroecologia e justiça ambiental em área urbana transformada pela população no Território Criativo do Gesso.

O Coletivo Camaradas deu início esta semana às atividades do Projeto Agentes do Sítio Urbano do Gesso, uma iniciativa estratégica de fortalecimento comunitário e ambiental que busca consolidar e ampliar os impactos positivos de um dos mais significativos patrimônios verdes urbanos do Cariri: o Sítio Urbano do Gesso, localizado em Crato-CE.

Reconhecido pela Lei Municipal nº 3.612/2019, o Sítio é muito mais que um plantio  às margens da linha férrea. Ele representa uma narrativa viva de resistência e transformação urbana – uma área outrora abandonada que, pelas mãos da comunidade, renasceu como um espaço para experimentação agroecológica, convivência e direito à cidade. O projeto, financiado pelo Prêmio Periferia Viva da Secretaria Nacional das Periferias (Ministério das Cidades), atuará ao longo de seis meses para garantir que essa conquista coletiva se torne permanente e replicável.

A primeira reunião de planejamento do Coletivo Camaradas ocorreu na última quarta-feira (14), marcando a partida oficial das ações. Na próxima semana, o projeto avança com um encontro fundamental que reunirá as famílias beneficiadas e uma ampla rede de parceiros, incluindo representantes de escolas, universidades, pontos de cultura e organizações ambientais da região.

O Sítio como Resposta às Crises Urbanas

A importância do Sítio Urbano do Gesso para o Crato transcende a beleza de seu verde. Ele se configura como uma resposta prática e pioneira a múltiplas crises que atingem os centros urbanos:

  • Socioambiental: Atua como um “pulmão verde”, amenizando ilhas de calor, melhorando a drenagem das águas da chuva e promovendo a biodiversidade em meio à expansão urbana.
  • Alimentar e Nutricional: Oferece alimentos saudáveis e acessíveis, fortalecendo a segurança e a soberania alimentar das famílias envolvidas.
  • Do Tecido Social: Sua própria existência e manutenção dependem e fortalecem os laços comunitários e o sentimento de pertencimento ao território.
  • Do Conhecimento: É um laboratório vivo onde saberes populares e técnico-científicos se integram, criando um modelo educador de gestão comunitária e agroecologia urbana.

O Projeto Agentes surge justamente para institucionalizar essas conquistas e construir alicerces para sua perenidade. “Reconhecemos que a sustentabilidade do Sítio depende diretamente do fortalecimento da capacidade técnica e do compromisso das pessoas que cuidam dele diariamente. Queremos transformá-lo em uma referência nacional de desenvolvimento urbano sustentável e participativo”, explica um dos coordenadores da iniciativa.

O projeto prevê um conjunto integrado de ações para os próximos meses:

  1. Capacitação: Ciclo de oficinas práticas em temas como poda, compostagem, sistemas agroflorestais (SAFs) e criação de banco de sementes.
  2. Reconhecimento Comunitário: Implementação de um programa de incentivo, com bolsa mensal para 5 famílias que atuarão como “Agentes Protetores do Sítio”, valorizando seu papel fundamental.
  3. Infraestrutura Verde: Implantação de um viveiro comunitário (capacidade para 100 mudas) e de um banco de sementes crioulas, garantindo autonomia e biodiversidade.
  4. Divulgação e Educação: Produção e distribuição de uma cartilha educativa sobre a história, importância e práticas do Sítio, incluindo a divulgação da lei municipal que o protege.
  5. Fortalecimento de Redes: Formalização de parcerias para doação de resíduos orgânicos (como cascas de ovos e borra de café) para compostagem, conectando o Sítio a escolas, universidades e o poder público.

Sobre o Coletivo Camaradas: É um Pontão de Cultura com atuação na defesa das políticas públicas para cultura, no direito à cidade e ambiental. O Camaradas foi responsável pela articulação da Lei que reconhece o Sítio Urbano do Gesso.